Atividade Cultural, Social e Desportiva

Atividade Cultural e Social

A actividade cultural e social está associada ao Café Popular onde se realizaram os primeiros Bailes do Carolina, ao salão Hyg-life, ao Teatro Salão, aos cinematógrafos, ao Teatro Circo, ao Teatro Avenida, e também ao nosso Salão Nobre e que construído propositadamente para aqui se puderem realizar os Bailes do Carolina e outros espectáculos.

Foram muitos os directores, bombeiros, sócios e amigos que participaram nas inúmeras peças de teatro, muitas delas escritas propositadamente para espectáculos de aniversário ou para beneficência.

Um vulto no ensaio e escrita de muitas destas peças ficou também com nome na cidade, o nosso Bombeiro do Quadro de Saúde, António Rodrigues Grande.

Histórias da Cruz Verde são histórias que se recordam associadas aos Bailes do Carolina que sempre foram promovidos pela Corporação, às peças de teatro, à exploração cinematográfica dos teatros circo e teatro avenida.

Em 1943 a comissão de bailes e festas ofereceu à associação um piano com a condição de ser utilizado pela associação em bailes e saraus musicais. Por esta altura, são elaborados os estatutos da Orquestra “Luz e Harmonia” dos Bombeiros Voluntários, cujas finalidades estatutárias eram dar maior expansão à cultura musical da cidade; promover o gosto pela arte musical; preencher a falta de um conjunto musical em Vila Real.

Toda a actividade cultural tinha como objectivo o apoio a causas de beneficência e para angariar fundos para os Bombeiros. Como já se referiu anteriormente é digna de registo a iniciativa dos directores terem criado a “Organização Bombeiros Voluntários” que desde 1946 e até 1958 explorou o Teatro Circo e o Teatro Avenida e a partir da qual se conseguiram angariar fundos para efectuar obras no quartel nos tempos difíceis da Guerra e nos momentos seguintes.

Quadro de Saúde

QS

Na CASA também se tratavam os doentes. Fundado em 1920, o Quadro de Saúde chamado “Estrela Vermelha” foi desde o primeiro instante quem socorreu muitos enfermos.

Pelo Quadro de Saúde passaram quase a totalidade dos médicos de Vila Real, farmacêuticos dos quais se lembra Francisco Mesquita e José Barreira, também enfermeiros e socorristas entretanto instruídos na CASA.

Mais tarde, em 1928 e com o apoio do benemérito “Comendador Botelho” é criado o Quadro de Saúde Cruz Verde.

Já em 1938 a CASA cumpre finalmente um dos seus sonhos. Com a criação do Posto Médico é possível que muitas pessoas possam aqui ter consultas médicas, possam fazer curativos e terem acesso a demais apoio médico.

A necessidade de socorro prioritária eram os incêndios, no entanto, era ao nível do socorro médico que a maioria das pessoas sentia necessidade, daí que a aquisição de auto-macas fosse uma ambição permanente da Associação, as quais são um símbolo também ao nível das viaturas. A Maria Alice, a Pontiac, a Ford Taunus e tantas outras são disso digno exemplo.

Apoio Social

Temos também histórias que nos contam que A CASA era abrigo, carinho, amparo.

No início, e porque os tempos eram muito difíceis, organizavam-se peditórios para crianças. Assim aconteceu quando se compraram agasalhos para as crianças que frequentavam a escola.

Também quando se organizaram vários bandos precatórios para auxiliar quem sofria devido a catástrofes ocorridas localmente ou mesmo a nível nacional.

Ainda quando se entregavam cobertores e roupas a família de bombeiros necessitados.

Em 1959, numa nossa ambulância, ocorreu o nascimento de uma criança, pelo que foi a mesma baptizada, sendo padrinho o Chefe Félix e tendo a Associação contribuído com o enxoval. A Associação ofereceu ainda a Boda do Casamento dos pais da criança o qual se realizou antes do baptizado.

É de salientar que a Associação promoveu diversas iniciativas e concedeu imenso apoio ao Asilo de Infância Desvalida.

Apoio Educativo

A Casa que educa

Nos primórdios da Associação, em Outubro de 1903, o 1ºComandante Manuel Teixeira de Aguiar assiste à abertura das aulas nocturnas que funcionaram no quartel sob a direcção gratuita do senhor Albano Botelho da Silva Ayres, professor diplomado pela escola de habilitação ao Magistério Primário, desta localidade.

Em Janeiro de 1898 alguns sócios prestam-se em realizar na Associação conferências e cursos com fins meramente instrutivos pelo que a Direcção deu o apoio à realização. Em 1898 é proposta a criação de biblioteca pelo que os sócios e amigos foram convidados, por oficio, a entregar um livro. Nos anos mais recentes e na actualidade têm sido ministrados vários Cursos EFA, das “Novas Oportunidades” e Curso CAP, possibilitando ao nosso Corpo de Bombeiros aumentar as suas competências e assim valorizar o seu percurso educativo conseguindo certificação até ao 12º ano.

O Desporto

A CASA tem história também no desporto. Desde logo, as equipas que disputaram as corridas de S. Silvestre. Alguns elementos eram bombeiros, outros eram amigos da associação que corriam pelas cores da CASA.

Outras duas equipas, de jovens e de veteranos, ganharam provas ou obtiveram prémios relevantes nas famosas corridas em Trancoso.

Mas, já antes se disputavam jogos de futebol com nossa equipa “Pé de Ferro”.

A tradição do atletismo, do futebol, mais tarde do andebol estão na linha da prática desportiva que sempre se incentivou.

Lembramos a prática de ginástica para manter em boa forma os bombeiros, e também a prática de patinagem que era realizada no Salão Nobre.

 

Diz a história que esta sempre foi A CASA das Corridas.

A nossa participação nas corridas do circuito de Vila Real, é, desde os tempos da Comissão do Circuito até à actualidade. Grande continuador de Aureliano Barrigas, o Nosso Rodriguinho Araújo foi também um dos grandes Directores da Comissão do Circuito e como sempre a CASA esteve na retaguarda desta organização.

As instalações serviram para as equipas prepararem aqui os seus bólidos e motos. As nossas salas serviram para reuniões da organização, o salão serviu tantas vezes para apoio logístico e para sala de imprensa, o parque de viaturas estava repleto com os “carros de corrida”.

Os bombeiros participavam em todas as actividades e especificamente no apoio e segurança das provas, por todo o circuito e durante os dias de corridas.

«Há outros acontecimentos em que os nossos Bombeiros se envolviam todos os anos e que não posso deixar de referir, que são as corridas do Circuito Internacional de Vila Real.

Eram cerca de 10 dias de azáfama e ao mesmo tempo de festa, pois recebíamos alguns corredores que parqueavam no nosso Quartel, tais como David Payper e Nicha Cabral, vencedores por mais do que uma vez neste circuito.

Ao mesmo tempo os bombeiros preparavam o seu material, montavam a sua estratégia para os dias das corridas. Enfim era festa.»

Comandante Vaz

Centro Republicano

Esta foi uma CASA em que a liberdade, igualdade e fraternidade sempre foram seu apanágio. Foi um importante centro republicano, já no tempo da monarquia. Muitos dos seus directores, bombeiros e associados eram conotados como sendo republicanos.

Um dos símbolos da República foi o nosso Comandante Adelino Samardã tendo sido o primeiro Governador Civil da República em 1910.

Relativamente a Adelino Samardã e aquando do seu funeral não foram feitas exéquias fúnebres cristãs. Houve um diferendo com o Sr.Bispo D. João Evangelista, pelo que as pessoas que integravam o cortejo fúnebre ao passarem pelo Paço Episcopal, terão mostrado toda a sua indignação. Assim, assaltaram a torre da Sé e fizeram dobrar os sinos. Por isso a associação foi excomungada. Passado um ano, em visita à Associação, D.João Evangelista escreveu no nosso livro de Ouro que saudava os Bombeiros Voluntários que tanto se orgulhavam da sua excomunhão.

Com já foi referido, em 1919 foi louvada pela 6ª divisão militar pela sua participação na luta contra o ataque das tropas monárquicas que entretanto queriam retomar o poder.

Já no tempo do Estado Novo esta foi uma CASA que deu abrigo a muitos livres pensadores e activistas contra o regime. Nunca nesta CASA se foi submisso a qualquer tipo de imposição, mas é intrínseca a sua relação com o poder.

Os nossos Comandantes Avelino Patena e Dr. Augusto Rua mas também o nosso director Rodriguinho Araújo foram Presidentes da Câmara. O Comandante Adelino Samardã foi Governador Civil.

Muitos outros directores, comandantes, associados e bombeiros tiveram um papel preponderante na vida social e política da cidade.

Comandante Adelino Samardã

Comandante Adelino Samardã
1º Governador Civil da República em 1910

Funeral de Adelino Samardã 16/02/1929

Funeral de Adelino Samardã 16/02/1929

Serviço Fúnebre

Uma CASA com história no serviço fúnebre. 

Um dos apoios prestados aos associados contribuintes e bombeiros foi também o serviço fúnebre. Neste sentido, foi adquirida uma carreta fúnebre que, durante muitos anos prestou serviço, tendo mesmo sido utilizada no Porto aquando do falecimento do nosso benemérito Silva Pereira, importante industrial portuense, benemérito de muitas associações. A nossa CASA esteve presente com o seu Corpo Activo e também com a nossa carreta.

Sendo algo que nos recorda momentos tristes é também a nossa homenagem a todos quantos partiram, a tantos que durante as suas vidas quiseram bem a esta CASA, a todos quantos a serviram de forma brilhante, abnegada e com a coragem que caracteriza os Bombeiros.

No entanto, esta carreta é também motivo de humor, naturalmente por não estar associada aos serviços que prestava, mas por estar ligada a muitas histórias de bombeiros, e que a propósito ainda contam que num célebre dia, vindos de realizar um funeral no cemitério de Mateus, resolveram apanhar boleia na carreta. Fizeram da carreta carro e lançados no seu entusiasmo ganharam balanço e a alta velocidade desceram a recta de Mateus. Tentaram imitar os corredores do nosso circuito mas, em vão, a carreta não tinha um volante muito prático e assim despistaram-se. Foi o caos… tendo desfeito completamente a carreta!

Palavras

As Frases de um fogo

SER BOMBEIRO

Bombeiro palavra santa
Não foi dita por ninguém
Vem da terra como a planta
Como filho da sua Mãe

TERRA

Ser Bombeiro é ser poeta
A trabalhar com enxada
Semear semente certa
Na terra mais precisada

PEDAGOGIA

È ter granadas no Peito
E nos olhos um trovão
Mais um coração perfeito
Para amar o seu irmão

AMOR

Ser Bombeiro é ter fé
E ser forte muito forte
Para combater de pé
Contra a morte até à morte

SACRIFÍCIO

E aqueles que tombaram
Na longa estrada da vida
Grande saudade deixaram
Hoje mais viva e sentida

SAUDADE

Leais Jovens Transmontanos
Despertai a vocação
E juntai mais tenros anos
Aos cem anos de missão

CONTINUIDADE

Bombeiros do Meu Pais
Bombeiros de Portugal
Tendes aqui a raiz
Mas a alma universal

Autor : Joaquim Evónio


A “História da Nossa CASA”

Fala de 125 anos da Associação e de 120 anos de vidas dedicadas à nossa Associação, todas estas vidas, por mais simples que fosse a sua participação ou contributo foram e são significativas. Todos têm o seu valor e certamente agradecem à CASA tudo o que lhes ensinou, conforme as palavras do Chefe Carlos Santos, “a CASA não me deve nada, eu é que devo tudo à CASA!…”

Todos nós, desde que passamos a ter o direito de ser da família “CRUZ VERDE” temos o dever de continuar a Servir, a Prestigiar e a Honrar a nossa Casa.

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