História do Quartel


A história do nosso quartel

A CASA tem a própria história, a história do nosso quartel.

Antigo Quartel na Rua 31 de Janeiro (Rua das Pedrinhas)

Antigo Quartel na Rua 31 de Janeiro

Emblema da Associação, património da cidade, o nosso quartel é um edifício que espelha a dignidade de quem o sonhou, desenhou, edificou e de quem ao longo de todos estes anos tem dado anos de vida à vida da Corporação.

A CASA teve várias casas que lhe serviam de quartel, uma alugadas, outras emprestadas. O material ocupava uma casa, as reuniões faziam-se noutras, quase sempre as casas de alguns directores e Comandantes.

Decorria o ano de 1912 quando um terrível incêndio reduziu a cinzas o exíguo edifício em que estava instalado o quartel, e de que pouco ou nada restou do seu material e arquivo. O quartel ficou reduzido a um montão de escombros, incêndio que se diz originado por uma vela que o quarteleiro deixara acesa por descuido e que propagou o fogo a um colchão.

Este facto insólito fez com que das cinzas renascesse o nosso quartel. A determinação e coragem de avançar para um quartel digno desse nome foi tal que, no mesmo ano, em 12 de Outubro de 1912 é aprovado por unanimidade pela Câmara Municipal um pedido da Corporação solicitando a concessão de um terreno do qual anexou uma planta.

A construção de um edifício próprio veio a concretizar-se em acto solene de lançamento da 1ª pedra do actual Quartel-Sede, em 1 de Janeiro de 1915, consumando-se a sua inauguração em 1 de Janeiro de 1923.

O Quartel “Albano Silva”

Planta do quartel


Documento de empréstimo para a construção do quartel


Apesar do lançamento da 1ª pedra, só em 1916 foi apresentada pelo Engº Joaquim Gaudêncio Rodrigues Pacheco uma planta para construção de uma casa. Este facto conferiu ao edifício uma beleza única para um Quartel de Bombeiros, mas originou que fossem efectuadas algumas alterações à planta. Em 1918 foi colocada a última pedra, consumando-se a sua inauguração em 1 de Janeiro de 1923.

A construção do quartel foi uma empresa enorme para a época. Os recursos económicos depressa se esgotaram tendo sido obrigada a Associação e emitir obrigações. Esta construção e as inúmeras remodelações e ampliações subsequentes contaram sempre com a ajuda de muitos amigos, também de subsídios e com o contributo de muitos bombeiros e amigos que nunca regatearam a mão-de-obra necessária a construírem o quartel.

Para a construção de tão grande empreendimento foi determinante a vontade, o empenho e esforço do Comandante Adelino Samardã, louvado em 1916 e também do então Presidente da Direcção Albano Silva (foi também 2º e 1º Comandante da Corporação) que tomou para si a realização de tão árdua tarefa.

A acção e o seu dinamismo de Albano Silva em prol da construção do quartel levou a que fosse louvado em 1922 e reconhecido como sócio benemérito.

Mais tarde, em homenagem póstuma, estávamos a 18 de Agosto de 1940, foi descerrado o seu nome no quartel, na presença do seu neto Albano Fernandes da Silva Ribeiro, e feita uma romagem ao cemitério.

As obras no quartel foram quase sempre permanentes, as necessidades de ampliação assim o exigiam. O quartel foi ganhando novos espaços e em tempos como os da 2ª Guerra Mundial, em que o cimento era racionado, conseguiram-se fazer obras de vulto no quartel.

Já nos anos sessenta e na presidência do Engº Varejão novo incremento de obras foram realizadas, tendo sido construída a Casa do Quarteleiro.

No final dos anos setenta procedeu-se à construção do “Salão Nobre José Correia”, da casa-escola “Chefe Félix”, da parada, do parque de viaturas subterrâneo, de novos gabinetes, do bar, de camaratas. A casa-escola foi construída em terreno à data ocupado pelos Bombeiros e depois expropriado pela Câmara Municipal.

Por volta de 1988 a degradação da fachada do Quartel era total, no entanto não havia recursos financeiros para efectuar obra de tal envergadura. Perante a presença do Sr. Ministro, Engº. Valente de Oliveira, o nosso António Barros pediu ao Chefe Artur que o acompanhasse e foram diante do Ministro solicitar auxílio para o restauro. Desta vontade e determinação resultou, passados três meses, o envio pelo Ministério do financiamento pedido. Não obstante esta ajuda financeira, foi necessário pedir auxílio juntos dos amigos da Associação. É de realçar todo o contributo do Corpo de Bombeiros que, com denodo, vontade e satisfação colaboraram nas referidas obras tendo sido da sua responsabilidade picarem toda a fachada do Quartel. Convém referir o contributo especial do Engº Manuel Carlos Trindade Moreira que ofereceu todos os materiais ficando a cargo da associação o pagamento da mão-de-obra especializada.

O Quartel por ocasião do Centenário

A partir de 1996 e já sob a presidência do Dr. Manuel Prazeres promoveram-se novas remodelações com vista a dotar as instalações de condições adequadas para responder às necessidades operacionais e administrativas da Associação bem como a dignificação do edifício e do magnífico Salão, jóia que a todos nos deixa orgulhosos.

Na actualidade, foi tomada a decisão de ampliação do Quartel dada a importância de manter as instalações e em virtude da possibilidade da sua ampliação, também pelo facto de poderem ser uma opção válida a médio prazo.

Na base desta opção esteve também a prioridade de se poder continuar a dar uma resposta rápida de combate ao fogo em todo o centro histórico.

O facto deste quartel ser um espaço social onde se continuam a reunir todos os bombeiros no activo, bombeiros mais antigos, os seus familiares, e muitos amigos, foi também um factor importante de decisão.

Entretanto, a Associação irá dar início à construção do seu Centro de Formação. Esta será uma infra-estrutura que garantirá a formação do corpo de bombeiros.

Durante os próximos anos estará garantida a operacionalidade das suas instalações e a formação dos seus bombeiros mantendo-se, no entanto, a vontade e determinação de, a médio prazo.


Notícia sobre ampliação do quartel no jornal "Bombeiros de Portugal" - edição de Fevereiro 2010


O Salão Nobre

Muitas histórias da CASA relacionam-se com o salão cuja construção sempre foi o sonho dos vários directores. Refira-se que o Salão chegou a estar divido em salas que cumpriam as mais diversas funções.

O Salão foi também um dos motivos para que todos chamassem ao Quartel “a nossa CASA”. Nos anos 50 chega a TV mas muitas eram as pessoas que não a possuíam. Os directores, à data, entenderam adquirir uma televisão. Como não havia cadeiras foram buscar as do antigo Teatro Circo que estava a ser desmantelado. Assim, a CASA enchia-se e à noite já não só os Bombeiros mas também as mulheres, filhos, familiares, sócios vinham até à CASA para ver a Televisão.

A grandiosidade do nosso salão permitiu que durante muitos anos fosse um dos únicos recursos existentes na cidade que possibilitava dar resposta à realização de diversas actividades. Aqui realizaram-se vários tipos de reuniões, desde comícios políticos, reuniões diversas. Aqui realizaram-se as primeiras e seguintes eleições após o 25 de Abril.

IPVR (4)

IPVR (3)

IPVR (2)

IPVR (1)

Placa de Homenagem da UTAD à Cruz Verde no 20º aniversário das primeiras aulas do IPVR

Aqui foi o berço da UTAD. No salão e na quase totalidade de salas de reuniões, da Direcção e Comando, decorreram as primeiras aulas do Instituto Politécnico e posteriormente da Universidade de Trás os Montes e Alto Douro.

Foi ainda sala de imprensa de vários acontecimentos. Também serviu para realização de serviços fúnebres, bailes, ringue de patinagem, campo de treinos de futebol do SC Vila Real em tempos de chuva, exposições e muitas outras actividades.

A partir de 1 de Dezembro de 2007 o Salão Nobre é também o nosso MUSEU, é um espaço de divulgação da nossa história, do espólio e de todos os que serviram a Associação; é um espaço educativo, cultural e social; é um espaço de exaltação aos Bombeiros Voluntários, à Nossa CASA, à Nossa Família “CRUZ VERDE”.

Breve cronologia dos acontecimentos sobre o quartel
Data Acontecimento
21 de Outubro de 1912 Requerimento à Câmara Municipal pedindo concessão de terreno indicado em planta anexa
1 de Janeiro de 1915 Lançamento da primeira pedra para a construção do quartel
13 de Janeiro de 1916 Apresentação da Planta
9 de Março de 1916 Começo imediato das obras de construção do novo quartel
15 de Abril de 1916 Abertos os alicerces do lado Nascente e Norte assento da primeira pedra
1 de Janeiro de 1918 Colocação da última pedra
1 de Janeiro de 1923 Inauguração do novo quartel
05 de Janeiro de 1923 Instalação do todo o material no novo quartel
18 de Agosto de 1940 Descerramento no quartel do nome “Albano Silva”
30 de Junho de 1944 Construção dos pavimentos de betão armado no Quartel
31 de Junho de 1977 Obras de ampliação da casa das máquinas e construção da “casa-escola”
15 de Abril de 1978 Projecto de betão armado relativo à “Casa-Escola” e “Parada”
1988 Restauro da fachada do Quartel
A partir de 1996

Sala do Bombeiro;

Novas camaratas, inclusive uma feminina;

Arquivo;

Sala de formação com apoio multimédia;

Novos gabinetes;

Remodelação de secretaria;

Dignificação e embelezamento do Salão Nobre.

2010 Ampliação e remodelação do Quartel

Ver mais do Historial:

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